Há duas semanas realizou-se a FIPAN - Feira de Panificação, Confeitaria e Food Service, organizada pelo Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan), que mostrou um nítido aumento de visitantes. Para entender melhor este setor que abrange cerca 63 mil padarias e emprega milhares de pessoas, o Portal Radar entrevistou Antero Jose Pereira.
Porque a padaria é tão querida pelos brasileiros?
A padaria é um setor muito querido por todos os brasileiros. Costumo dizer que é a sala de estar do brasileiro, é lá que se comenta a novela da noite anterior, o jogo de futebol, então é um lugar muito importante. É um lugar que não é do proprietário e sim do consumidor.
Como está o setor de panificação? Pela Fipan conseguimos perceber que ele está bem, ou não?
O setor de panificação, igualmente aos outros setores passou um incomodo na crise financeira, mas vive atualmente um bom momento e isto se reflete na feira. Viemos crescendo cerca de 15% ao ano e este ano a Fipan superou nossa expectativa, refletindo o momento do setor na feira.
Quantas padarias têm hoje no Brasil?
São cerca de 63 mil padarias em todo o Brasil. No Estado de São Paulo elas são 13 mil sendo que na cidade de São Paulo temos um total de 5 mil.
E quantos pãezinhos são consumidos no Brasil?
No Brasil são tantos zeros que eu não sei nem te dizer. Mas em São Paulo são consumidos 15 milhões de pãezinhos.
Com tanto pão, temos farinha de trigo suficiente? Já somos autossuficientes neste quesito?
Hoje somos autossuficientes na questão de farinha de trigo, digo na produção dela. Já quando falamos em trigo é diferente. Atualmente importamos 60% do trigo que consumimos no Brasil.
A Norma Regulamentadora-12 (NR-12) que fala sobre proteção em máquinas e equipamentos irá influenciar em maiores investimentos do setor?
Sim. Os profissionais do setor são obrigados a investir por causa do NR-12, que está em revisão onde foi colocado um anexo (94) em que seremos obrigados a trocar praticamente 90% dos equipamentos. A panificação ainda tem um parque meio sucateado e agora será obrigatório ter dispositivo de segurança em todo este maquinário. Portanto o profissional será obrigado a investir.
Em número de geração de negócios? Quanto será movimentado na FIPAN?
Acredito que iremos gerar cerca de 600 milhões de reais em negócios.
O setor apresenta mecanismos de financiamento que incentivam o profissional do setor?
Temos o BNDES que financia máquinas e equipamentos, mas temos também outras ferramentas e projetos de financiamento. O grande problema é a burocracia que existe para atingir estes financiamentos.
Você acredita que exista uma tendência para a formação de grandes redes de padaria, assim como aconteceu com as drogarias, por exemplo?
Acho que no caso de padarias ainda existem poucas redes. Creio que não vire uma tendência. Hoje é muito difícil administrar uma padaria, aqui em são Paulo mesmo temos 4 ou 5 padarias que tem mais de um empreendimento.
E como é a gestão de uma padaria atualmente?
Hoje tem que ser mais profissional, não se admite mais aquela gestão de “caneta atrás da orelha”. Ela precisa ser mais automatizada e é preciso ter mão de obra mais qualificada.
E como conseguir mão de obra mais qualificada?
Existem projetos. As entidades de São Paulo, por exemplo, montaram escolas para atender as periferias de São Paulo, para promover qualificação e requalificação de mão de obra. Com isto será possível termos novos produtos e melhor atendimento, inclusive nas periferias de São Paulo.