Acompanhe uma entrevista com João Doria Jr., presidente da Doria Associados que, em 2008, fez a aquisição da Casa Cor em parceria com o Grupo Abril. O empresário conta todos os detalhes sobre essa edição e ainda revela com exclusividade as novidades para o ano que vem.
Qual a responsabilidade em assumir um evento como esse?
É uma responsabilidade grande, mas eu a compartilho com toda a equipe, particularmente com o Ângelo Derenze, que é presidente executivo de Casa Cor, um profissional competente, brilhante, comprometido com as melhores causas da arquitetura, paisagismo e designer. Mas este é um evento onde os artistas são os arquitetos, paisagistas e designers. Nós temos 180 dos melhores profissionais do Brasil.
Que dimensão a Casa Cor tomou em suas mãos?
Dobrou de tamanho. Com a dimensão deste ano, alcançamos a posição do segundo maior evento do planeta, superando a amostra de Nova Iorque. Perdemos apenas para a feira internacional de Milão, e que mesmo assim é uma feira, não é uma amostra, mas respeitamos a tradição deste que é o mais significativo evento do mundo. No ano passado a Casa Cor passou a integrar a agenda oficial de eventos da capital paulista, assim como a Fórmula 1.
Com um evento em São Paulo dessa magnitude, qual o objetivo das franquias da Casa Cor?
É ampliar. Nós não estamos nem considerando a soma dessas franquias para efeito dessa classificação, se fossemos somar, seríamos de longe o maior evento do mundo. São 14 unidades no país, São Paulo e mais treze, e ainda temos três no exterior. As franquias são resultado da dimensão da Casa Cor, é a dimensão do talento brasileiro se expandindo pelo país e pelo mundo. Nós temos visitantes de vários países que vêm conhecer o nosso trabalho: Paraguai, Chile, Uruguai, México, Argentina, Colômbia, Portugal, Espanha e Angola. Esperamos 140 mil visitantes ao longo da temporada.
A responsabilidade dessa nova gestão aumentou por causa da crise? Qual o investimento necessário para realizar a mostra?
Não podemos dizer números, mas a crise estimulou e ampliou os nossos resultados. Nós batemos recordes de faturamento e da revista Casa Cor, mostrando que a crise só afeta de fato aqueles que têm medo dela e que não sabem enfrentá-la. Se você enfrenta com planejamento, qualidade e uma sintonia com aquilo que você propõe, sempre terá bons resultados. Casa cor é um exemplo disso, maior Casa Cor da história, no ano da crise mundial.
Quanto o evento movimenta no mercado brasileiro?
O impacto que o evento oferece ao país em um todo é equivalente a 400 milhões de dólares. Porque esse volume? Significam todas as linhas de produtos que são lançadas aqui pelas empresas como louças, metais, fechaduras, pisos, carpetes, tapetes, tecidos, mobiliários, objetos de decoração e linhas de áudio e vídeo. São investimentos realizados por indústrias sem contar os investimentos das lojas e dos profissionais.
E qual o grande destaque deste ano?
O grande destaque é o fato de nós termos três eventos em um, Casa Cor, Casa Kids e Casa Hotel, com a concepção extraordinária desses arquitetos mostrando ambientes maravilhosos, inclusive com homenagens às grandes personalidades brasileiras como a nossa eterna Hebe Camargo. Mas esse evento é destinado principalmente a Roberto Burle Marx, comemorando seu centésimo aniversário, se ainda vivo. Temos também o tema da sustentabilidade, em que a Casa Cor se associa à necessidade de difundir o conceito estimulando os arquitetos e engenheiros a fazerem empreendimentos mais sustentáveis.
Qual o impacto de três eventos simultâneos?
É uma exposição para se visitar em três dias, são 124 ambientes. Por isso o passaporte Casa Cor é um elemento tão importante, porque ele permite que você acesse o evento quantas vezes você desejar pagando um único ingresso que é de 90 reais. As pessoas vêm inclusive para almoçar, jantar e trazer seus filhos, amigos e familiares. Casa Cor não é mais uma experiência apenas para profissionais, mas para a família. Você tem direito a sonhar, e aqui você sonha com uma casa melhor, um quarto melhor, a cozinha ou a sala que deseja. Até mesmo quem mora em uma quitinete ou em um pequeno ambiente, mas quer deixá-lo mais bem iluminado ou com uma pintura diferente, também pode nos visitar. Não é preciso ser rico para vir a Casa Cor, é preciso ter vontade de viver melhor.
Então o evento não é apenas para a alta sociedade? O que o consumidor de classe média pode encontrar na Casa Cor de acordo com a sua condição financeira?
Encontrar bom gosto. Bom gosto não custa caro, é uma atitude que você tem. Ter uma parede bem pintada na sua casa custa muito pouco, é algo acessível. Se você coloca uma luminária, um abajur, já muda o ambiente. Hoje, com a difusão das lojas da Etna, da Tok&Stok e C&C Casa & Construção isso se tornou muito acessível. É preciso ter a referência para vir a inspiração e começar a sonhar. Quem vive em uma quitinete ou em um pequeno apartamento, seja ele alugado ou próprio, pode viver com um pouco mais de bom gosto. Traduzir esse sentimento de felicidade para a decoração não é a tradução do dinheiro, é a tradução da sua vontade de ser feliz.
Sustentabilidade é um tema discutido em todos os segmentos. Como é a aceitação nesse meio?
Hoje é fundamental, principalmente na arquitetura, na engenharia e também na decoração. Sustentabilidade, processos que possam permitir a reutilização de materiais de construção e de acabamento reciclados e conceitos que possam reduzir o consumo de água e energia, na nossa visão são obrigatórios. Valorizar nos projetos, a medida que do possível, a utilização do verde mantendo áreas permeáveis.
Todos os expositores vestiram essa camisa?
Todos, em maior ou menor grau. Há ambientes aqui 100% sustentáveis, onde a SustentaX inclusive ofereceu os selos de sustentabilidade. Houve um comprometimento desses arquitetos para que em todos os ambientes tenhamos alguma atitude, alguma demonstração clara, materializada de sustentabilidade, o que estabelece uma nova consciência no mundo da arquitetura que depois se transfere para a engenharia.
Há uma pré-seleção dos profissionais para entrar na Casa Cor? Quem acaba de se formar consegue fazer esse investimento?
Dá para entrar o ano que vem. Esse ano ainda houve um processo seletivo rigoroso em que nós tivemos mais de cem arquitetos com a proposta recusada. Em 2010 nós vamos ter uma inovação. É um fato que eu ainda não tinha anunciado, será a Casa Jovens Talentos, um espaço voltado para os jovens, de todas as idades, que acabam de ingressar no mundo da decoração, arquitetura e paisagismo. Será uma área dedicada aos iniciantes nesse setor que possuem talento, habilidade e que não tinham oportunidade na Casa Cor, e agora, a partir do ano que vem, terão esse espaço aqui em São Paulo.
A Casa Jovens Talentos será apenas um espaço destinado para eles ou também terão um investimento menor?
Terá diferenciação nos dois quesitos. Será mais acessível o investimento desse jovem talento, não vai implicar que ele tenha custos proibitivos, ao contrário, será mais underground, mais facilitado o acesso, isso desde que ele tenha talento. Não é só o fato de desejar ser arquiteto, precisa mostrar um mínimo de talento para estar aqui. Só que agora, ele não precisará demonstrar essa capacidade financeiramente.
Nós percebemos um aumento significativo no número de produtos licenciados, a que você atribui isso?
É um trabalho de planejamento desenhado por nossa nova gestão de Casa Cor, onde o sistema de licenciamento passou a ter uma preponderância e ser estratégico para nós. Casa Cor, pelas pesquisas que realizamos, é reconhecida como uma marca de bom gosto que reflete estilo de vida. Hoje já anunciamos aqui vários lançamentos que estarão à venda no próximo mês de junho em todas as lojas de varejo do Brasil e nas 14 lojas Casa Cor.
O que a marca Casa Cor oferece?
Ela oferece a oportunidade de você sonhar e viver uma experiência diferente. Nós já temos a linha de cama, mesa e banho com a Teka, uma das maiores indústrias do país que fica em Santa Catarina. É um lançamento no Brasil que depois será levado ao exterior. Com a Porto Brasil, uma empresa que funciona em Porto Ferreira, interior de São Paulo, temos três linhas Premium de louças para casa, que serão exportadas também. Ainda temos uma linha de home sprays e de velas com a suíça Firmenich, a maior empresa de fragrâncias do mundo; uma linha de DVD’s feita em conjunto com a rádio Alfa FM e a coleção toda de livros da Casa Cor, que neste primeiro momento serão vendidos no apenas país. Ao longo de 2009 nós vamos anunciar os novos lançamentos.